X

Informação Truncada

T
odo mundo sabe de tudo o tempo todo. Pelo menos parece.

Com a função de compartilhar links e o hardnews ganhando mobilidade, sendo atualizado minuto a minuto on-line, os conteúdos não param de chegar. Vem de todos os lados, de todas as formas, são portais, sites, blogs e redes sociais bombando, a exemplificação perfeita de um fenômeno chamado de liberação do pólo de emissão.

André Lemos (2004), que é um estudioso brasileiro sobre a cibercultura, fala que a internet se torna foco de irradiação de informação, conhecimento e troca de mensagens ao longo do mundo. Isso desencadeia a emissão desenfreada de conteúdo na rede. Ou seja, todo e qualquer usuário vira um potencial criador de conteúdo.

Nesse momento sou um emissor de informação. Estou colocando na rede, para quem quiser ler, um texto sobre cibercultura. Em contrapartida, se você comentar, você também vira um emissor de conteúdo. Essa democracia comunicacional, onde todos criamos e informamos, é muito bacana. Até a página dois, digo, até o segundo link.

Já pensou em quantas pessoas de má-fé estão jogando conteúdo na rede? Quantas visões ideológicas estão sendo impostas, sem dó nem piedade, através de textos, crônicas ou até noticias que são postadas na sua timeline? Não existe, necessariamente, um compromisso com a verdade absoluta na rede. Nada impede que algum emissor publique inverdades.

Lembra aquele papo da Wikipédia? Que falava sobre informações erradas nos verbetes, justificado pelo fato de qualquer pessoa poderia atualizá-la, também existia uma vertente que afirmava que com a velocidade da comunicação o que fosse inverdade seria corrigido pelos outros usuários. Pois é. Será que isso sempre acontece?

Num momento onde o cenário político do Brasil inspira cuidados e as opiniões divergentes beiram a intolerância, será que não podemos estar nos deixando levar pelo que postam na nossa rede? Até onde estamos saindo daquela utópica "dominação das grandes empresas de comunicação" e caindo nos contos dos vigários espalhados pelos pseudo intelectuais do século XXI?

L
uis Fernando Veríssimo e  Soares afirmam que a esmagadora maioria dos textos atribuídos a eles na internet, não são de sua autoria. Aposto que Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu diriam a mesma coisa. Se existem poemas, piadas e reflexões se espalhando pela rede, ganhando novos donos, para serem aceitos como bons textos, o que se dirá das notícias?

Vejo blogs políticos, de textos completamente tendenciosos e pouco esclarecedores, compartilhados numa velocidade assustadora. Mentiras proferidas por maldade, compartilhadas por quem não investiga, nem presta atenção naquilo que recebe e ajuda a viralizar algo que diz apenas o que o usuário queria ouvir, mesmo que não seja real. É hora de repensar o compartilhar.

Deixe seu comentário

Nome *
Seu Email *
Website
Mensagem

Contato

Estabeleça um contato, fale com Marcelo Prata

Outros canais

Você também pode mandar seu recado pelas redes sociais. Basta identificar os perfis ao longo do site e mandar o seu recado. Não esqueça de colocar uma maneira de receber a resposta, seja por e-mail, telefone ou endereço.